As lesões de tornozelo têm alta incidência, principalmente no meio esportivo. Estas lesões são responsáveis por 20 a 25% de afastamento no esporte e, muitas vezes, são resultantes de falhas ou ausência de programas preventivos.Os gestos esportivos e os treinamentos excessivos podem predispor os atletas à lesões por entorse do tornozelo. O entorse de tornozelo é caracterizado por uma amplitude de movimento além do arco fisiológico, e ocorre principalmente com a combinação dos movimentos de inversão e flexão plantar.
Além do mecanismo de trauma, a resistência ligamentar também favorece a lesão no compartimento lateral, pois os ligamentos laterais não são tão resistentes e espessos quanto os ligamentos mediais.
A lesão por entorse ocorre em maior incidência durante a prática de esportes de contato. Tal fato deve-se, principalmente, aos gestos esportivos que são executados, sendo os saltos, corridas e as quedas ao solo os principais responsáveis pelas lesões nos tornozelos. Os entorses correspondem a 75% dessas lesões e o mecanismo por inversão atinge cerca de 85% a 90%.
O entorse ocorre pelo aumento do movimento articular ou um movimento anormal levando a um estiramento e/ou ruptura de vários tecidos como: rupturas ligamentares completas ou incompletas; frouxidão capsular e instabilidade articular. Nos entorses por inversão os ligamentos mais acometidos são o talofibular anterior seguido do calcaneofibular e mais raramente o talofibular posterior.
A classificação dos entorses de tornozelo depende da função articular e do comprometimento do complexo ligamentar lateral, sendo mensurados em graus I, II e III.
No grau I ou entorse leve não há repercussões na amplitude de movimento, ocorre mínima perda funcional, presença sutil de edema e apenas distensão de poucas fibras ligamentares.
No grau II ou entorse moderado há um pequeno aumento da amplitude de movimento, alguma perda funcional, edema, dor moderada e ruptura parcial do ligamento envolvido, podendo apresentar uma leve instabilidade articular.
Já no grau III ou entorse grave, ocorre aumento da amplitude de movimento, sendo considerada anormal, perda funcional, edema importante, dor, equimose e ruptura completa cápsulo-ligamentar, levando a uma instabilidade articular importante.
A ocorrência de entorses de repetição, principalmente em inversão do tornozelo, e a persistência dos sintomas de dor e instabilidade após um episódio inicial, são denominados de instabilidade crônica de tornozelo.
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Ft. Vinícius S. Bastoni